As estrelas sempre foram consideradas símbolos de magia, mistério e espiritualidade.
O símbolo da chuva de estrelas pode representar e significar esperança, orientação e o destino.
A cascata de estrelas, portanto, pode sugerir a chegada de um momento de grande inspiração ou de uma mudança significativa na vida do ser humano, na comunidade à qual pertence ou no país que lhe deu origem, existindo uma relação muito estreita entre a terra natal e o caráter do homem. Por exemplo: um homem nascido no Alasca nunca será semelhante, em temperamento e traços físicos, a um homem nascido em Sorrento.
De um ponto de vista estritamente espiritual, a chuva de estrelas poderia representar uma conexão profunda com o cosmos ou com o divino. Poderia ser interpretada como um sinal de bênção ou de proteção divina que acompanha o homem em sua jornada no mundo sensível.
A visão de uma chuva de estrelas pode ser uma experiência poderosa e sugestiva. Por meio da compreensão de seu simbolismo e da análise das interpretações atribuídas a este fenômeno, podemos esperar obter uma maior consciência de nós mesmos e de nossa trajetória espiritual. A interpretação do fenômeno, em todo caso, é subjetiva e pessoal, sendo necessário confiar em nossa intuição e sensibilidade.
Este é o momento de ativar os três níveis da alma descritos por Plotino em suas Enéadas e descobrir qual relação o fenômeno celeste que observamos pode ter com o destino de nossa alma.
Os três níveis da alma, segundo Plotino, são:
- A alma concupiscível, desejosa de experiências materiais, que persegue apenas os instintos e submete a razão. Este é o degrau mais baixo da alma.
- A alma altiva, que se indigna com as injustiças e busca a justiça. Apesar disso, também essa parte não é totalmente racional ou lúcida.
- A alma racional, onde a razão prevalece sobre o resto e deveria direcionar e guiar as outras duas partes da alma.
Não devemos esquecer que no cosmos existe uma relação profunda entre a vida material do homem, o movimento das estrelas e seu destino.
A contemplação de um movimento estelar pode fornecer à alma do homem os instrumentos necessários para serem utilizados nos momentos mais importantes e significativos de sua vida: nas mudanças cíclicas, nas decisões profundas, nas situações que marcarão a separação de sua alma do corpo.
É necessário esclarecer que tais instrumentos sempre descendem do mundo das ideias e que, desde tempos imemoriais, quando os povos antigos interpretavam os destinos humanos com base na posição das estrelas, esses instrumentos foram os únicos meios oferecidos ao homem para o conhecimento de seu destino, de sua família e do povo ao qual pertence.
Em um conjunto de possibilidades, foi dado ao homem, em primeiro lugar, o livre-arbítrio como o meio mais adequado à inteligência humana para tomar as decisões corretas. Contudo, esse grande poder concedido ao homem nunca pode estar desvinculado dos dois grandes movimentos que o envolvem: o movimento do cosmo e das estrelas, e o próprio movimento da alma.
As eras mais remotas, em todos os continentes, mostram o homem com o olhar voltado para cima, interrogando as estrelas na esperança de obter respostas certas sobre seu destino e o destino do povo ao qual pertence. As respostas contidas no simbolismo das aparições e nos movimentos estelares nem sempre foram corretamente interpretadas. Nas respostas e interpretações, muitas vezes falta a neutralidade do observador, prevalecendo a ignorância, a presunção, o interesse e a confusão mental.
Assim, podemos concluir de uma única forma possível: as estrelas, em seus movimentos celestes, obedecem à ordem cósmica, enquanto no homem frequentemente falta a ordem interior da alma e das ideias, com a nefasta consequência de que, no céu que o cobre e que deveria refletir como um espelho o movimento celeste, passa a refletir a desordem de sua alma.
Roberto Sestito
Traduzido por ♃268


