Matteo Tafuri – O Sábio

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A recente e interessante nota do caro amigo Marcello Gaballo sobre o belíssimo campanário de Soleto, publicada em Spigolature Salentine, trouxe-me à memória um passeio feito aproximadamente há um ano pelas ruas do pequeno centro salentino.

Assim, fui rever as fotos daquele dia.

Matteo Tafuri, 1492-1584

Mas entre essas fotos, há algumas de um lugar um tanto particular — talvez não propriamente bonito, também pelo estado em que se encontra —, mas que, na minha opinião, ainda hoje, para quem souber descobri-lo, exerce alguma forma de atração, se não for olhado apenas superficialmente. Não são fotos do conhecido campanário, mas de uma casa antiga. Uma casa entre as ruelas estreitas do centro histórico — a casa daquele que o povo local costumava chamar de “o mago de Soleto”, Matteo Tafuri.

Marcello relata com muita eficácia, em sua nota, as incongruências que os estudos nos revelaram sobre a ligação entre esse “estranho” personagem e a construção do conhecido campanário, realizada bem antes de seu nascimento. Mas as lendas não se preocupam com datas — na verdade, zombam delas; assim, conta-se que Tafuri, nessa obra, teria contado com a ajuda de figuras diabólicas e de bruxas que, segundo a lenda, o suposto “mago” teria obrigado, com sabe-se lá que rito, a servi-lo.

Tudo em uma única noite.

Uma longa noite durante a qual Tafuri, segundo a lenda, submeteu a si as forças diabólicas, pronunciando estranhas fórmulas em latim jamais ouvidas. Sombras estranhas se agitaram naquela noite para cima e para baixo ao longo do campanário, traçando bordados eternos com a suave pedra leccese.

Talvez até mesmo o nascer do sol tenha sido retardado para permitir que a obra fosse concluída; mas a luz, por mais que se tente atrasar o seu avanço, no fim sempre prevalece sobre as trevas, e os demônios, improvisados operários a serviço do mago nessa obra descomunal, também perderam a noção do tempo, ficando petrificados, presos no alto do campanário pelos primeiros raios do sol.

Mas quem era esse personagem estranho? Seria realmente um mago? Um ocultista capaz de comandar as figuras sombrias do inferno? Ou teria sido outra coisa?

Matteo Tafuri nasceu em Soleto em 1492, onde faleceu em 1584. Não foi uma figura qualquer.
Após os primeiros anos de formação passados entre Soleto e Zollino, seguindo o magistério de Sergio Stiso para aprender letras gregas e latinas, deixou o Salento (região meridional da Puglia, na Itália), chegando primeiro a Nápoles, onde estudou matemática, medicina, filosofia, apaixonando-se pela magia natural, astrologia e fisiognomia.

Após Nápoles, iniciou sua peregrinação, primeiro pela Itália e depois pelo restante da Europa. Passou por Pádua e depois por Veneza, onde entrou em contato com os filósofos salentinos Marcantonio Zimara e Girolamo Balduino.

Deixou a Itália para dirigir-se primeiro à Inglaterra e depois à Irlanda. Nesses países começaram para ele os primeiros problemas sérios causados por sua paixão pela magia. A própria Inquisição (não podia faltar! nota do autor) chegou a se ocupar dele, mas foi inocentado graças à intervenção do Pontífice.

Após uma passagem pela Alemanha, chegou a Paris, na Sorbonne, onde ao que parece obteve o doutorado em filosofia e medicina. Um retrato seu com o capuz vermelho da Sorbonne encontra-se na pintura de 1580 da Madonna do Rosário, na nave esquerda da Igreja Matriz de Soleto. O quadro, embora não esteja em boas condições, nos restitui a figura de Tafuri, barbado e com a cabeça coberta, com as mãos postas e o olhar voltado para a Virgem e o Menino.

Após passar pela Espanha, Grécia e talvez até pela Ásia Menor, em 1550 retorna a Nápoles, onde passa a fazer parte da Academia dos Segredos, fundada por Giovan Battista Della Porta, que chega a mencioná-lo em sua obra Coelestis Physiognomonia, citando-o como exemplo daqueles que se destacam na arte da fisiognomonia.

Em Soleto, permanece sua casa natal, onde, no lintel de um antigo arco, está gravado o lema: «HUMILE SO ET HUMILTA’ ME BASTA. DRAGON DIVENTARO’ SE ALCUN ME TASTA» (“Sou humilde e a humildade me basta. Mas virei dragão se alguém me provocar”). Com essa inscrição, Matteo Tafuri expressava e manifestava aos cidadãos e a qualquer um que passasse por sua morada sua natureza de temperamento manso, advertindo, porém, que poderia se transformar em um dragão caso alguém o injuriasse ou zombasse dele. Infelizmente, Tafuri arrastou consigo, mesmo em sua pequena e natal Soleto, as maledicências que já o haviam atingido na Inglaterra e na Irlanda. Sua paixão pela magia e pela alquimia o tornavam uma figura incômoda — talvez até “perigosa” — e certamente temida para a sociedade da época.

“Glória e honra da terra salentina” — assim o define De Tommasi; assíduo com os enfermos (um terapeuta ante litteram, precursor dos grandes hermetistas napolitanos, nota do autor), exerceu com dedicação e sucesso a profissão de médico. Mas, enquanto era “exemplar em seus escritos, digno de admiração e respeito em seus pareceres”, foi considerado um “mago” pela ignorância popular.

Um de seus discípulos e conterrâneo, Francesco Scarpa, em uma de suas obras, o define como o Atlante filósofo salentino.
De Giorgi, após chamá-lo de “gênio enciclopédico”, prossegue escrevendo:

“Os burros (asnos e ignorantes, nota do autor) de seu tempo e de sua terra atribuíram à feitiçaria o poder de seu gênio e de sua doutrina. Mil fábulas curiosas foram inventadas sobre ele, as quais, se tivessem sequer um indício de verdade, ele certamente não teria escapado das garras leoninas da Inquisição, nesses tempos tão propícios a assar os chamados hereges! E agora seu nome jaz esquecido, e entre os retratos dos ilustres salentinos que decoram a Biblioteca Provincial de Lecce, procurar-se-ia em vão a efígie de Matteo Tafuri, aquele que atordoou os sábios de Salamanca e de Paris com sua imensa doutrina! Que se repare — e logo — esse esquecimento impensado!”

Deste personagem misterioso não restaram obras, excetuando-se um Pronóstico e um Comentário aos Hinos Órficos, contido no Códice Vaticano grego 2264 (texto infelizmente inacessível, nas garras dos padres do Vaticano!).

Resta dele também a antiga casa onde viveu. A casa, de propriedade privada, encontra-se em mau estado de conservação. Um belíssimo poço, decorado por dentro mas danificado com intervenções grosseiras para a passagem de canos de água, e os restos apoiados sob o antigo arco desabado — onde se encontrava o lema de Tafuri — é o que resta dele.

Retomando a exortação final de De Giorgi, considero um dever, por parte do Município de Soleto e de seus cidadãos, prestar homenagem a essa figura extraordinária de mago e sábio, promovendo a restauração do imóvel e, assim, enfim concedendo-lhe as honras que lhe são devidas.


A Matteo Tafuri, “o Sapiente”!

por Massimo Negro